Seminário: A paixão em Bach e Elomar

11, 12 e 13 de julho de 2006
14h às 18h (12 horas/aula)
Sala Multiuso do Museu Victor Meirelles.

CRISTO, Século XVIII, madeira policromada Peça sem procedência determinada, recuperada pela Polícia Civil Mineira em 1998 (sob guarda do IEPHA/MG)

CRISTO, Século XVIII, madeira policromada
Peça sem procedência determinada, recuperada pela Polícia Civil Mineira em 1998
(sob guarda do IEPHA/MG)

Apresentação
A palavra paixão é usada em vários sentidos, dentre os quais: entusiasmo, furor incontrolável, sentimento de amor intenso capaz de ofuscar a razão, o martírio e sofrimento de Jesus Cristo, peça teatral cantada. De onde vem essa palavra e por que tal variedade de significados?
Neste seminário, pretendemos analisar os conceitos de paixão e os termos que lhes são correlatos, buscando mostrar os momentos-chave em que este vocabulário foi construído na cultura ocidental, a partir da matriz greco-romana e da matriz cristã. Trataremos, também, da estética relativa ao sofrimento de figuras que tiveram seus corpos dilacerados, como Orfeu (poeta e músico lendário), Dioniso (deus do teatro) e Jesus Cristo – esse último, na forma como J.S. Bach o apresenta. Paralelamente, discutiremos como, na contemporaneidade, Elomar Figueira Mello propõe uma obra poético-musical (cujas raízes remetem ao imaginário antigo e medieval) em que mostra, na travessia dos retirantes pelo sertão, a tragicidade do sofrimento humano como epifania do padecimento divino.

Johann Sebastian Bach

Johann Sebastian Bach

Elomar Figueira Mello

Elomar Figueira Mello

 

 

 

 

 

 

 

Programa

11 de julho
Paixão, dos nomes e sentimentos
A passio (latina) e a pathe (grega). Ação e reação no sentido físico e metafísico; padecer ou ser movido como índice de imperfeição ontológica; Razão e emoção. Palavra, teatro e música na cultura grega clássica. Hinos, ditirambos e coros teatrais gregos. Registros de música grega antiga. Os autos medievais e a origem do oratório. A música como suporte do discurso e do ritmo da palavra na obra de Elomar.

12 de julho
Palavra, Música, Imagem e História
Canção, oralidade e história. Culturas popular e erudita e a questão das fontes. A metodologia do trabalho histórico a partir dos documentos sonoro e imagético. Reminiscências medievais no sertão nordestino. Auto da Catingueira e Cartas Catingueiras: o cenário e o elemento musical. O padecimento dos personagens e a sublimação pelo canto do poeta.

13 de julho
A Harmonia das Paixões em Bach
Afetos e sentimentos. Considerações sobre as Paixões Segundo Mateus e Segundo João. A música a serviço da palavra no barroco. Bach e a supremacia da harmonia sobre o texto. Análise da primeira parte da Paixão Segundo São João, de Bach.

Inscrição:
A oficina é gratuita, mas possui vagas limitadas. Quem estiver interessado em participar, deve encaminhar seu pedido para o seguinte email:silvana.mariani@gmx.net

Ministrantes

Márcia Ramos de Oliveira 
Doutorou-se em História, com tese sobre Lupicínio Rodrigues, na UFRGS, onde também fez mestrado e graduação na mesma área. Atualmente é coordenadora do Núcleo de Estudos de História Cultural da UDESC, e leciona nas áreas de História Antiga e Medieval e de Música e História. Nesta mesma instituição, coordenou, em 2004, o projeto A História no Teatro: uma proposta de Arte-educação, que culminou com a peça Recortes medievais: o amor como subtítulo. Secretária-adjunta Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos/SUL (biênios 2004-2005)

Maria Cecília de Miranda N. Coelho
Doutorou-se em Língua e Literatura Gregas, na USP e Brown University/EUA, com tese sobre filosofia e teatro clássico. É mestre em Filosofia, pela USP, e graduada em Matemática e Filosofia, pela UnB. Foi professora de filosofia na UDESC, onde coordenou o Grupo Gregos e Baianos e o Projeto Filocinema – um olhar sobre a Grécia Clássica. Atualmente trabalha no Projeto de Ensino de Língua Grega Antiga on line, no COGEAE-PUC/SP. Secretária da Regional Sul da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos/SUL (biênios 2004-2005 e 2006-2007).

Silvana Mariani Hueblin
Formou-se em violão clássico no Conservatório de Schaffhausen, Suíça. Estagiou como bolsista do Programa Bolsa Virtuose do Ministério da Cultura no Instituto Jaques-Dalcroze em Genebra. Licenciada em Música, pela UDESC, é autora do método de violão O equilibrista das seis cordas (Ed. Musimed & UFPR), resultado de sua experiência como professora de violão para crianças na rede de escolas públicas na Suíça no Brasil, e como criadora de um curso de musicalização infantil através do violão, no Conservatório de MPB, em Curitiba.

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