9ª Semana de Museus Museus e Memória

“Mas vêm o tempo e a idéia de passado
visitar-te na curva de um jardim.
Vem a recordação, e te penetra
dentro de um cinema, subitamente.
E as memórias escorrem do pescoço,
do paletó, da guerra, do arco-íris;
enroscam-se no sono e te perseguem,
à busca de pupila que as reflita.
E depois das memórias vem o tempo
trazer novo sortimento de memórias,
até que, fatigado, te recuses
e não saibas se a vida é ou foi.”
(Carlos Drummond de Andrade)

9a semana museus

De 16 a 20 de maio de 2011

Museu Victor Meirelles

De 16 a 20 de maio de 2011 os museus brasileiros promovem a 9ª edição da Semana de Museus, evento cujo tema este ano é “Museus e memória”. A Semana é proposta pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) como forma de incentivar a participação dos museus brasileiros na Jornada Internacional de Museus, evento organizado anualmente em diversos países do mundo, no dia 18 de maio, quando se comemora o Dia Internacional dos Museus. A ocasião acaba se tornando um convite para que as instituições se aproximem do público por meio de ações educativas e culturais.

Para esta edição de 2011, o Museu Victor Meirelles estará com as portas abertas, com entrada gratuita ao longo de toda a semana e, na programação da Agenda Cultural, estará em discussão o conceito de memória nas instituições museológicas, sobretudo nos museus de arte. A primeira oficina a ser realizada terá um caráter mais teórico, com o título “Entre a memória e o esquecimento: um museu para o presente”, ministrada pela pesquisadora e professora da Universidade Federal de Minas Gerais, Maria Angélica Melendi. A oficina ocorrerá nos dias 16 e 17 de maio, das 14 às 18h. A segunda oficina será “Trabalhos da memória, trabalhos com a memória”, com a historiadora e pesquisadora Leticia Bauer, nos dias 19 e 20 de maio, das 14 às 18h, e abordará os diversos aspectos que o termo “memória” tem recebido na contemporaneidade.

No dia 19 de maio, a partir das 18h30min, na Sala de Exposições Temporárias, ocorrerá a leitura dramática “Diários, cartas e bilhetes: o Museu Victor Meirelles”, com o ator Nei Pelizzon. Trata-se da leitura de parte do material documental, recolhido durante um extenso trabalho de pesquisa realizado pelo Museu Victor Meirelles, no qual foi encontrada uma vasta documentação, correspondências em sua maioria, contendo o relato das tratativas para a criação do próprio Museu Victor Meirelles, com registros de figuras importantes como Mario Barata, Rodrigo de Melo Franco, Alfredo Theodore Rusins e Lygia Martins Costa.

Oficina 01
Entre a memória e o esquecimento: um museu para o presente, com Maria Angélica Melendi
Vagas: 50
Ementa: Nesta época, quando pinturas, esculturas e objetos parecem estar desaparecendo, num mundo e num século nos quais os processos de reprodução e repetição parecem ter tornado obsoleto o hábito de colecionar objetos únicos e prodigiosos para entesourá-los em locais protegidos, num período em que proliferam os museus virtuais patrocinados por empresas de tecnologia digital, o que esperamos de um Museu de Arte? Para Jean-Louis Deotte, na contemporaneidade o Museu estaria no centro de qualquer política cultural coerente, porque é, por essência, universal, público e cosmopolita. Um Museu, então, serviria para esquecer e rasurar as individualidades, para agrupar as diferenças sobre o comum denominador de um passado e um presente compartilhados. Os discursos de demanda de memória que impregnam hoje nossa cultura parecem obscurecer, de alguma maneira, os efeitos funestos de uma memória total. Esquecem o necessário esquecimento. Por isso, o Museu – templo laico de uma impossível Memória – tem se transformado na instituição mais notável das últimas décadas. Parafraseando Paul Virilio, a estética do Museu é uma estética da desaparição, do apagamento, justamente porque o Museu monta o espetáculo da aparição. Todos os objetos expostos num Museu acabam por aparecer e parecer-se entre si como duplos informes deles mesmos. Afinal, nos dias de hoje, parece complicado pensar e projetar um Museu de Artes Visuais que não seja um monumento, um memorial ou um mausoléu. Para evitar isso seria necessário, apenas, conceber o Museu de Arte como um abrigo acolhedor, um lugar dentro do qual os trabalhos de arte do passado e do presente continuassem vivos e ativos, a proliferar em outros trabalhos de arte vivos e ativos.

Ministrante:

Maria Angélica Melendi nasceu em Buenos Aires, Argentina. Vive e trabalha no Brasil desde 1975. É Doutora em Literatura Comparada pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (1994-1999) com a tese: A imagem cega: arte, texto e política na América Latina. Entre 1986 e 2001 foi professora de História da Arte na Escola Guignard, UEMG. Na atualidade é professora associada do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Belas Artes da UFMG. È coordenadora do Grupo de pesquisa Estratégias da Arte na Era das Catástrofes (www.estrategiasarte.net.br) e editora da revista on line Lindonéia Suas investigações centram-se nas relações entre artes visuais e política na América Latina, com ênfase nas estratégias da memória, assunto sobre o qual tem publicado artigos em livros, jornais e revistas acadêmicas.

Oficina 02

Trabalhos da memória, trabalhos com a memória, com Leticia Bauer

Vagas: 30

Ementa: Se presenciamos a utilização desenfreada dos termos identidade, cidadania e pertencimento nos últimos anos, É fato que a noção de memória, em seus diversos desdobramentos discursivos, atingiu seu protagonismo. Lugar de memória, casa de memória, pontos de memória. De qual memória estamos, afinal, tratando? É possível taxidermizar algo tão flexível e mutável e deslocá-lo para dentro de uma instituição museológica? Sobre o que falamos, ao mencionar uma memória institucional? Em que ela difere de uma história institucional? A presente oficina tem por objetivo, num primeiro momento, discutir a noção de memória a partir de algumas reflexões desenvolvidas por pesquisadores da área das Ciências Humanas, para, em seguida, restringir o espectro de análise ao campo do patrimônio cultural e, em especial, dos acervos museológicos. Num segundo momento, por meio de um estudo de caso, propõe-se o debate acerca dos limites e possibilidades dos trabalhos da memória e dos trabalhos com a memória no âmbito das instituições museológicas.

Pré-inscrição até 11 de maio de 2011.

A oficina é gratuita e tem como público-alvo professores, profissionais de museus, pesquisadores, historiadores, artistas visuais, estudantes e o público geral. Serão 40 vagas disponibilizadas para cada oficina. O critério de seleção será a análise das respostas enviadas pelo candidato ao questionário que segue abaixo. O processo seletivo e os critérios adotados são de responsabilidade da equipe da Agenda Cultural do Museu Victor Meirelles. Interessados em participar devem encaminhar até o dia 11 de maio de 2011 seu pedido de inscrição com os dados abaixo para mvm.ac@museus.gov.br. O resultado da seleção será divulgado por e-mail até o dia 12 de maio.

Título da oficina que deseja se inscrever:
Nome completo:
Telefone:
E-mail:
Formação:
Área de atuação profissional:
Instituição:
É membro da Associação de Amigos do Museu Victor Meirelles?
Por que tem interesse em participar desta oficina?

Pedimos aos inscritos que tiverem seu pedido de inscrição deferido e não puderem comparecer à oficina que avisem o quanto antes para que possamos disponibilizar as vagas para outros interessados. Informamos que aqueles que não comparecerem à oficina após terem seus nomes inscritos não poderão frequentar outra oficina do Museu Victor Meirelles ao longo do ano de 2011, salvo justificativa comprovada da ausência.

O quê: 9ª Semana de Museus: Museus e Memória
Onde: Museu Victor Meirelles.
Quando: de 16 a 20 de maio de 2011.
Quanto: Gratuita.

Caso não queira receber mais o informativo do museu, favor responder com assunto REMOVER.

Mais informações: Museu Victor Meirelles
Rua Victor Meirelles, 59 – Centro – Florianópolis (48) 3222 0692
mvm.ac@museus.gov.br

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