Exposição Viagem em Torno do Museu: 60 anos de Museu Victor Meirelles

Exposição comemora os 60 anos do Museu Victor Meirelles

O Museu Victor Meirelles abre na próxima quarta-feira, dia 14, às 19 horas, a exposição Viagem em Torno do Museu: 60 Anos de Museu Victor Meirelles, em comemoração a data alusiva à sua criação.  Estarão expostas principalmente obras pertencentes ao seu acervo, com destaque para aquelas que integram o chamado núcleo inicial, ou seja, as primeiras obras do Museu Victor Meirelles.

Dividida em quatro módulos, a Viagem vai tomar todos os espaços expositivos do museu, que são a sala de exposições temporárias e a de longa duração, no segundo piso.  Conceitualmente, a mostra foi pensada a partir de dois pilares principais.  O primeiro que aborda a formação do acervo do Museu, que contempla a produção artística de Victor Meirelles bem como a dos artistas da década de 1950 até os dias atuais.  O segundo pilar está centrado na narrativa dos viajantes, derivando daí a ideia da viagem em torno do Museu, como consta no seu título.

Coincidentemente, a obra escolhida para abrir a mostra é a última adquirida pelo Museu e é também a única datada do século XVIII em seu acervo.  A gravura Vue de l´Île de Sainte-Catherine, desenhada em 1785, por Gaspard Duché de Vancy, membro da expedição do Conde de Lapérouse, é uma das imagens fundadoras da iconografia da cidade de Florianópolis.  A partir daí, inspirados nas experiências e narrativas dos viajantes, a rota estabelecida na exposição atravessa os momentos da produção artística brasileira, ao longo dos séculos XIX, XX e XXI.  Ademais, vale lembrar que o próprio artista Victor Meirelles foi um viajante, tendo morado na Europa durante os estudos acadêmicos (1853-1861) e, depois, já como artista consagrado do Império, esteve envolvido em outras viagens para executar as suas obras retratando batalhas, como Guararapes, em Pernambuco, e Humaitá e Riachuelo, no Paraguai.

O Museu

Também faz parte da exposição comemorativa a própria edificação que hoje abriga o Museu: a casa onde nasceu o artista catarinense.  A aquisição pelo Governo Federal, em 1946, do típico sobrado lusobrasileiro da virada do século XVIII para o XIX e o tombamento da edificação como patrimônio histórico nacional, em 30 de janeiro de 1950, seriam os primeiros atos para a inauguração do Museu Victor Meirelles, em 15 de novembro de 1952, data que também assinala a Proclamação da República.

Desde 1952 o Museu Victor Meirelles vem construindo uma história, um acervo e um ambiente que se relacionam com a produção artística, desde o século XVIII até o tempo atual.  O processo de formação deste acervo museológico, ao longo de seis décadas, acabou resignificando a própria Instituição, sobretudo a partir da década de 1990, quando trabalhos artísticos modernos e contemporâneos passaram a ocupar suas salas de exposições e a reserva técnica.

mapa 60 anos low

Os Módulos

A proposta da Viagem em Torno do Museu e seu universo se reflete na concepção dos módulos, que funcionam como um percurso para a visitação. Portanto parte-se sempre do sentido de uma viagem, e para se empreender uma viagem em torno do mundo, no século XVIII, era necessário, primeiro, um Plano de Viagem – título do Módulo 1 – que incluísse paradas estratégicas para o abastecimento das embarcações. Este abastecimento era feito por meio de Trocas, Escambos e Afins – Módulo 3. A cada expedição cabia recolher visões científicas sendo que, muitas delas, acabaram constituindo um incrível imaginário em torno das Visões do Novo Mundo – nome do Módulo 2 -, tal era a riqueza de detalhes que os escritos e desenhos transmitiam a partir dos Diários de Bordo – Módulo 4 – que eram os registros feitos pelos próprios viajantes.

Assim, o porto de partida no Módulo 1, ou Plano de Viagem, é a gravura que registra a passagem da expedição de Lapérouse pela Ilha de Santa Catarina, em 1785, junto com o “Estudo de Traje Italiano”, de Victor Meirelles, cuja peculiaridade é ter sido realizado na Ilha de Ischia, na Itália. Ou seja, Victor Meirelles também foi um viajante, sobretudo durante seu pensionato artístico europeu, entre os anos de 1853 e 1861.

Visões do Novo Mundo, no Módulo 2, trata do imaginário associado ao Novo Mundo.  A visão que a Europa tinha do mundo ainda por ser descoberto e daquilo que era considerado fantástico, dada a distinção e a diferença no plano das realidades.  A ideia deste módulo é expor as obras pertencentes ao acervo do Museu que retratam este aspecto, tanto do ponto de vista do europeu em relação ao Novo Mundo, quanto em sentido oposto, daí a inclusão da obra Paisagem a Caminho de Dresden, de autoria de Paulo Gaiad.

Sem as trocas e os escambos, do Módulo 3, não era possível atravessar o mundo a bordo de embarcações.  Na Ilha de Santa Catarina, a estadia para abastecimento da expedição de Lapérouse foi de 12 dias. “Consta nos diários de bordo que cada navio consumia, por dia, 800 laranjas. Para uma tripulação de 100 pessoas, significa que cada homem consumia oito laranjas por dia. Era o perigo do escorbuto”, revela o pesquisador Gilberto Gerlach.

Compõe o módulo a obra Degolação de São João Batista (c. 1855), de Victor Meirelles.  A dança de Salomé diante do rei Herodes o agradou tanto que ele lhe prometeu qualquer coisa em troca.  Eis que Salomé e sua mãe, Herodias, pedem-lhe a cabeça de João Batista.  A composição da pintura alude também a outros níveis de trocas, por exemplo, as sociabilidades intelectuais entre Victor Meirelles e seu mestre, Manuel de Araújo Porto-Alegre, registradas nas trocas de correspondências entre eles.

As cartas trocadas por eles nos levam ao outro destaque deste módulo, que se refere justamente às trocas intelectuais e afetivas, fundamentais em alguns processos de produção artística.  A proposta aqui é mapear e estimular processos colaborativos contemporâneos, acompanhando a produção de dois artistas – convidados – ao longo de seis meses.  Ao invés de expor apenas o resultado dessas trocas – os trabalhos em si –, o Museu Victor Meirelles também disponibilizará uma plataforma virtual, que vai permitir ao público acompanhar as publicações de tudo que significar comunicação entre eles, desde textos, imagens, vídeos, links, citações, áudio e os diálogos.  Os artistas convidados são Giba Duarte e Giorgio Filomeno.

Por fim, no Módulo 4, intitulado Diário de Bordo, será apresentado o vídeo Vera Cruz, de Rosangela Rennó. Neste trabalho a artista propõe, de forma supositiva, como se deram os diálogos entre os componentes da esquadra de Cabral no momento exato do descobrimento do Brasil.

Como parte integrante deste módulo estará exposto também o trabalho Diário de Viagem, de autoria dos artistas Lara Montechio e Bruno Bachmann. Nos moldes de um livro de artista, trata-se de um caderno, manuscrito, com textos e desenhos simulando um diário de bordo, só que com foco na ideia da Viagem em Torno do Museu e do próprio Museu como estrutura, ou seja, a casa e sua arquitetura.  O trabalho enseja ainda uma outra proposta, esta no sentido de sugerir um outro olhar, outro roteiro ou percurso, mas para a própria exposição.  Com o trabalho localizado no final dela, os artistas então convidam o expectador a fazer uma nova visita, pegando o caminho de volta, e lançando um provável olhar diferente para as mesmas obras já vistas.

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Exposição Viagem em Torno do Museu: 60 anos de Museu Victor Meirelles
Visitações: 14 de novembro de 2012 a 17 de fevereiro de 2013.

Programação especial:

14 de novembro, 10h – Ação educativa com alunos da Escola de Educação Básica Simão José Hess.
14 de novembro, 16h – Mediação com acadêmicos do Curso de Museologia (UFSC).
14 de novembro, 19h – Abertura da exposição.
23 de novembro, 19h – Lançamento de livros: Arquivo Debilitado – o gesto de Evandro Affonso Ferreira, de Júlia Studart [Dobra Editorial, SP], Jogo de Varetas e As Mãos [editora 7Letras, RJ], ambos de Manoel Ricardo de Lima.
27 de novembro, 19h – Sessão solene na Câmara Municipal de Vereadores de Florianópolis em homenagem aos 60 anos do Museu Victor Meirelles.
28 de novembro, 20h – Exibição ao ar livre dos vídeos produzidos durante a Oficina de Introdução ao Stop-Motion, com Diego de los Campos.
29 de novembro, 16h – Palestra: Os viajantes na Ilha de Santa Catarina, com Gilberto Gerlach.

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