Mar… Que Falta

Exposição de curta duração traz o MAR… QUE FALTA ao Museu Victor Meirelles

Apenas uma semana. Uma celebração envolvendo várias manifestações artísticas. O mar junto, permeando. As viagens reais e imaginárias, do passado e do presente.  A rua toda tomada de obras de arte e, ao anoitecer, performances, música e projeção de imagens. O olhar em todas as suas nuances.  Assim será o evento Mar… Que Falta, que o Museu Victor Meirelles apresenta na semana de 17 a 21 de dezembro de 2012.

Com curadoria de Fernando Boppré e Vanessa Schultz, a mostra tem vários caminhos que podem ser trilhados e vai abordar temas como o espaço urbano, os navegadores, a cidade, as rotas, os jardins e também as viagens, inspirada na aventura francesa do Conde de Lapérouse, cujas fragatas passaram por Florianópolis, então Nossa Senhora do Desterro, em 1785.  Por sinal, a gravura Vue de l´Île de Sainte-Catherine, de autoria de Gaspard Duché de Vancy, que registra a passagem da expedição de Lapérouse encontra-se atualmente na exposição Viagem em Torno do Museu: 60 Anos de Museu Victor Meirelles.

Logo de início, ao chegar no Largo Victor Meirelles, que será o centro de toda a mostra, o visitante já vai se deparar com os fragmentos da embarcação incrivelmente fundeada numa rua de paralelepípedos.  É a fragata de Lapérouse chegando a Florianópolis, em pleno século XXI, registrando e vivenciando as mudanças, olhando tudo, reparando as pessoas, os modos de vida e as manifestações culturais.

Mauricio Muniz é o autor deste trabalho, Inundação, que tem na fragata o seu pilar.  Os fragmentos da nave serão instalados no Largo Victor Meirelles, sendo que o mastro da embarcação terá velas onde serão projetadas as imagens dos audiovisuais ao longo da programação noturna da exposição. Este trabalho é o mote principal da exposição Mar… Que Falta e, em torno dele, estão posicionados os demais trabalhos, num diálogo com todas as demais questões, incluindo as marítimas e das viagens.

Com o cuidado de não revelar todas as surpresas, os curadores adiantam: “O navegador, supostamente ignora que a cidade não se chama mais Nossa Senhora do Desterro, que os contornos da Vila foram redesenhados pelos aterros viários: onde antes havia mar, agora terra dura, asfalto quente. Assim, desinformado, ele acaba invadindo o Centro Histórico com o imenso corpo de sua nau, encalhando-se, solenemente, aos pedaços, defronte a casa onde nasceu o artista Victor Meirelles e que abriga hoje o Museu que leva o seu nome”.

Em meio aos fragmentos da embarcação desse navegador desavisado, o público poderá vivenciar trabalhos e programações artísticas especialmente arranjadas para essa exposição. O mar vem até o museu; o museu aproxima-se das bordas d´água. Aqueles que transitam apressados ou não pela cidade irão, certamente, deparar-se com outra paisagem, repleta de sentidos, em pleno Largo Victor Meirelles. Basta decidir embarcar.

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A Programação

A programação completa pode ser conferida em http://marquefalta.worpress.com e começa na segunda-feira, dia 17, às 14 horas, com uma curiosa associação.  A aluna Cássia Schuck, do curso de Matemática da UFSC, vai apresentar o seu Trabalho de Conclusão de Curso no Museu Victor Meirelles.  A razão dessa escolha está no título do TCC: O Olho no Infinito ou o Infinito no Olho? Pensando Matemática por Meio de Pinturas de Victor Meirelles. Em seu resumo ela anota que “a fim de se praticar o pensamento de olhar ao infinito, destacando o pensamento matemático, apresenta-se uma análise em duas obras do artista catarinense Victor Meirelles”. A conclusão segue no rumo de que a imagem da arte proporciona o exercício da atividade matemática. A capacidade máxima da sala é de 30 lugares.

Mais tarde, às 20h30min, haverá o Mapeando a Ilha, projeto com concepção e trilha sonora da professora Clelia Mello junto com os alunos do Curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Catarina.  São 16 diferentes olhares captados em registros imediatos, feitos com celular, câmeras e afins, do percurso entre a casa de cada um e a universidade. Primeiro um registro contínuo e, na sequência, surge o percurso afetivo, em vídeo. Os 16 trabalhos serão projetados no entorno do Museu Victor Meirelles.

No anoitecer do dia 18, terça-feira, às 19 horas, acontece Artempé, de Paulo Bruscky. O artista de Recife virá ao Museu Victor Meirelles e convida desde já o público a comparecer para uma exposição sobre sapatos. Para participar, é imprescindível que o público venha calçado com um sapato diferente em cada pé. No espaço, ocorrerá a mesa/debate – “Por que usamos sempre dois sapatos iguais?” – com as pesquisadoras Regina Melim (artes visuais – UDESC), Maiara Quintana (moda) e Alexandre Bergamo (sociologia da cultura – UFSC). Artempé foi realizada pela primeira vez em 1973 e será novamente executado especialmente para a mostra MAR… QUE FALTA.

Antes de Artempé, a partir das 16h, ocorre a Mostra de Filmes Paulo Bruscky, com duração aproximada de 130 minutos, apresentando 32 curtas realizados pelo artista desde a década de 1970.

A seguir, ainda no dia 18, às 20h30min tem a estreia do filme Caminhos de Valda, do jornalista e historiador Marlon Aseff.  Trata-se de um documentário sobre a pintora Vivalda Costa, a Valda. Autodidata, negra e muito bonita, ela seria modelo e musa de Martinho de Haro, de quem soube recolher os melhores conselhos para sua palheta. Mas Valda foi além. Pintou a ilha e seus costumes, pintou os morros, as favelas, o folclore. Foi classificada de naif, quando na verdade superou os limites dessa escola, tornando-se única em sua arte.

No documentário Caminhos de Valda, o jornalista e historiador Marlon Aseff recupera a trajetória da artista, desde os seus primeiros passos na comunidade do Morro do Mocotó até sua morte prematura, em 1993.

A quarta-feira, dia 19, traz uma mistura de performance, vídeo, fotografia e música. Às 19h tem a estreia de Amorphobia, novo trabalho de Clara Fernandes, seguida do vídeo de mesmo nome, de Mauricio Muniz. Encerrando o dia, às 20h30min, a projeção de fotos, de Bruno Ropelato e a apresentação do músico Ledgroove.

Amorphobia propõe a exibição do vídeo realizado em diversos locais da ilha de Santa Catarina, com direção geral de Mauricio Muniz, e a projeção de imagens, fotos de Bruno Ropelato.  Antes do vídeo e das fotografias, uma “companhia de teatro”, ou seja, as personagens do filme farão uma performance-procissão, a partir das 19h, pelo Centro Histórico da cidade. O ponto de partida será o Forte Santa Bárbara (1ª estação), seguido da Praça Fernando Machado (2ª estação), passando defronte ao Museu Histórico de Santa Catarina com parada no Largo da Catedral (3ª estação). Por último, entrará na Rua Victor Meirelles (4ª estação) para a estreia do filme. Músicos acompanharão o percurso: flauta, violino, contrabaixo, voz. O ambiente é de uma companhia de teatro do século XVIII-XIX, que chega a cidade após uma longa viagem, por mar, aos nossos dias e convida os moradores para a estreia do filme.

Durante a exibição das fotos de Bruno Ropelato, às 21h, haverá a apresentação do músico Ledgroove, com o seu Senóides Oceânicas, que foi convidado pela curadoria para criar uma trilha sonora para a exposição.  Guiado pelos sons das marés em gravações randomizadas de algumas praias de Florianópolis, Ledgroove propõe uma audição que traduza as primeiras grandes navegações na história e que chegaram até Desterro através de colagens de músicas e rituais que já existiam na ilha antes dos europeus, e que por sua vez sobrepõem composições próprias manipuladas por instrumentos eletrônicos. Uma ritualização oceânica dialogando com linguagens tribais, sob camadas de texturas e melodias sintéticas, manipuladas por sequenciadores digitais.

O dia 20, quinta-feira, será dedicado às imagens.  Às 20h30 acontece a Mostra de Vídeos MARaVIAGEM cuja curadoria reune audiovisuais que estabelecem pontes para se pensar a relação com o mar e a prática das viagens desde o século XVIII até a contemporaneidade. Foram selecionados 5 curtas (La Osnofa-Gilda, TiroTTi, Diego de los Campos, Ruth Steyer e Fernando Weber) e 1 média-metragem (Chico Faganello).

Às 22 horas, ainda no dia 20, é a vez da Mostra de Instagrams realizada pelo Coletivo Instagramapolis, com organização de André Paiva. Instagrams é um aplicativo eletrônico para edição, publicação e compartilhamento de fotos digitais. O Coletivo Instagramapolis convocou interessados a enviarem fotografias nesse formato onde o mar e as viagens são protagonistas.

O encerramento da exposição Mar… Que Falta tem como convidada Zuleika Zimbábue.  Na sexta-feira, dia 21, a partir das 21 horas, a “mulher-macaca” da Ilha de Santa Catarina apresenta A Arca Do Apocalipse – Tudo que Você vai Precisar Para o Fim do Mundo, com a performance Manual Prático para Chegar ao Dia 22.  No programa estará a sua famosa urna das dúvidas sexuais, com a edição especial O Último dos Orgasmos e ainda vai ter uma seleção musical especialíssima, a Trilha Para o Fim do Mundo, uma pesquisa, feita pela própria Zuleika, das melhores canções produzidas pela humanidade até o fatídico, porém festivo, 21 de dezembro de 2012.

Trabalho mais bem sucedido do ator Paulo Vasilescu, Zuleika Zimbábue existe há mais de dez anos. Já se apresentou em espetáculos nos palcos, como Paraíba Woman e …Não Há Nada Como Um Gauguin, em casas noturnas – Zoológika – sucesso por mais de 4 anos, semanalmente, com sua banda de rock Zuleika & Os Confirmados e virou DJ.  Já prepara um trabalho novo para as pistas, que pretende estrear em São Paulo, para onde se mudará no fim do verão, e que mistura textos próprios, performance e mixagem de música eletrônica.

Outro destaque da exposição Mar… que Falta é a série de trabalhos que estará reunida no espaço que os curadores chamam de Núcleo Encalhe.  Neste núcleo estarão sendo apresentados, ao longo de toda a semana, trabalhos artísticos que ficarão instalados defronte ao Museu Victor Meirelles, em torno dos fragmentos da nau ali “encalhada”. Os artista que participam deste módulo são Edmilson Vasconcelos, Flávia Fernandes, o Grupo Fora, Luciano Boletti e Raquel Stolf.

Edmilson Vasconcelos traz o trabalho Visor Para ver Obras de Arte. Como o nome antecipa, sugere-se que tal objeto sirva como um dispositivo que se pode usar tanto para se olhar obras de arte já prontas, como para se ver obras de arte em qualquer coisa vista com ele. De uma maneira ou de outra, o que se verá através dele será transformado, filtrado, editado ou colorido pela lente. O visor nesse caso é, além de um dispositivo para o olhar, um dispositivo para a mente e para nossa decisão do que seja ou não arte. A decisão será sempre de quem olhar por ele.

Lugar de Descanso é o trabalho da artista Flávia Fernandes, onde ela propõe um espaço para o descanso em pleno centro urbano, com um colchão d´água que possui, em cima, um chuveiro que é acionado periodicamente. No contexto do escaldante verão florianopolitano, o trabalho promete ser disputado pelo público.

Adote um Jardim [aroeira, vassoura, picão e cia.] é uma mediação executada pelo Grupo Fora, formado pelas artistas Bruna Maria Maresch, Camila Argenta, Gabriel Scapinelli e Nara Milioli.  Trata-se de uma intervenção onde o grupo produz recortes de paisagens provindas de terrenos baldios, instala-os em caixotes de feira e os dispõe em espaços públicos para a adoção. Nesta edição, a novidade é a introdução de mobiliário construído com material reaproveitado da construção civil, que servirá como dispositivo para a exposição e troca dos canteiros flutuantes (o público poderá levar as caixas). A proposta é compartilhar e cultivar a prática de jardins espontâneos em territórios urbanos, assim como evidenciar os terrenos baldios como espaços de respiro.

Luciano Boletti participa com um trabalho que consiste em aplicar, a partir de um modelo, formas de vacas em uma parede do Largo Victor Meirelles. Cada uma então será decorada/pintada pelo artista. Segundo Luciano o tema foi embasado na sentença de Nietszche: “Contempla o rebanho que passa diante de ti pastando. Não sabe o que era ontem nem o que é hoje: corre daqui para lá, come, descansa e torna a correr e assim de manhã à noite, dia após dia, qualquer que seja seu prazer ou seu desprazer. Amarrado ao piquete do momento, não manifesta melancolia nem aborrecimento. O homem se entristece ao ver semelhante coisa, porque se dá ares de importância diante do animal e, no entanto, inveja a felicidade deste”.

Sou Todo Ouvidos [orelhão] é uma exposição da artista Raquel Stolf. Cartões-panfletos e adesivos que serão inseridos e distribuídos em espaços públicos. Eles irão propor intercâmbios entre falas e escutas, utilizando-se as redes de telefonia como um espaço imprevisto e impredizível (dos orelhões aos celulares). Para esta exposição, realizada pela primeira vez, a artista proporá um orelhão (localizado no Largo Victor Meirelles) como espaço sonoro. O trabalho é um desdobramento do projeto Sou Toda Ouvidos, desenvolvido desde 2008, e que consiste em cinco versões de cartões-panfletos também distribuídos em diferentes situações, propondo cruzamentos e desvios entre situações de leitura, fala e escuta, a partir do recebimento de ligações telefônicas.

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Mar… Que Falta

Exposição

De 17 a 21 de dezembro de 2012

Museu Victor Meirelles
Rua Victor Meirelles, 59 e Largo Victor Meirelles
Centro – Florianópolis

Programação

Dia 17, segunda-feira

14h – Defesa de TCC (Matemática) – Cássia Schuck.  Orientadora: Prof. Dra. Cláudia Regina Flores
20h30 – Mapeando a Ilha – concepção e trilha sonora: Clelia Mello, registros: alunos do curso de Artes Cênicas da UFSC

Dia 18, terça-feira

16h – Mostra de vídeos, de Paulo Bruscky
19h – Performance Artempé, de Paulo Bruscky
20h30 – Estreia do filme Valda Costa, de Marlon Assef – debate com Solange Adão (atriz) e Jayro Schmidt (artista e crítico)

Dia 19, quarta-feira

19h – Performance Amorphobia, de Clara Fernandes. Artistas participantes: Elisa Schmidt, Pedro Gonçalves, Isabela Bernardo, Scherazade Mesquita, Marcella Andrade.
20h30min – Vídeo Amorphobia, de Mauricio Muniz
21h – Projeção de fotos, de Bruno Ropelato
21h – Senóides Oceânicas, apresentação de Ledgroove

Dia 20, quinta-feira

20h30 – Mostra de vídeos MARaVIAGEM, com filmes de Fernando Weber, La Osnofa-Gilda, Ruth Steyer, TiroTTi, Diego de los Campos e Chico Faganello.
22h – Mostra de Instagrams – Coletivo Instagramapolis – organização de André Paiva

Dia 21, sexta-feira

21h – Finissage com trilha sonora para o fim do mundo, A Arca Do Apocalipse – Tudo que Você vai Precisar Para o Fim do Mundo, com Zuleika Zimbábue

*** Em caso de chuva, a programação noturna ao ar livre será realizada no Museu da Escola Catarinense.

De segunda a sexta-feira, de 17 a 21 de dezembro

Exposição ao ar livre dos seguintes trabalhos artísticos:

- Inundação, de Maurício Muniz
- Visor Para ver Obras de Arte, de Edmilson Vasconcelos
- Lugar de Descanso, de Flávia Fernandes
- Sem Título, de Luciano Boletti
- Sou Todo Ouvidos [orelhão], de Raquel Stolf
- Adote um Jardim [aroeira, vassoura, picão e cia.], do Grupo Fora

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