Mostra de Cinema Filmaralho

O Museu Victor Meirelles apresenta, nos dias 29 e 30 de novembro, às 19 horas, a Mostra de Cinema Filmaralho.  São dois dias de programação que se iniciam com uma série de curtas metragens e terminam com um longa, tendo um debate programado para cada dia entre os módulos.

Visando fomentar a circulação e discussão de filmes cuja temática tange a exploração e a problematização de diferentes questões estéticas, sexuais e políticas, o projeto da mostra buscou trazer para o centro dos debates a questão do corpo na arte, na rua, na indústria pornográfica, na família etc. Além da temática em si, os filmes selecionados se caracterizam também por não serem obras convencionais e tampouco fáceis de serem encontrados em locadoras ou programados nos cinemas comerciais.

A curadoria é de Jenny Granado, aluna do curso de artes visuais da Udesc, cujo trabalho vem se desenvolvendo no campo da performance, explorando os seus desdobramentos no vídeo e na fotografia.  A ideia de fazer um ciclo de filmes, com debates, era antiga, e se concretizou dentro da Udesc, especificamente no Centro de Artes, com o apoio do seu Diretório Acadêmico, do qual Jenny fazia parte desde 2010, e do Departamento de Artes Visuais. “O CEART era um lugar que me dava um apoio técnico mínimo e era grande o interesse dos colegas e professores do curso no conteúdo dos filmes. A ideia desde o princípio era de que a mostra saísse da Udesc e atingisse outro publico, noutros pontos da cidade como ateliês, museus, praças, ou casa de amigos, enfim”, sinaliza Jenny.

Os mediadores dos debates são Gustavo Motta, Lia Urbini e a própria curadora Jenny Granado.  Gustavo vai apresentar o tema A body arte é coisa de macho?, no debate do primeiro dia e Lia e Jenny abordarão o tema O que é Feminismo Revolucionário?, no segundo dia.

Gustavo Motta é artista gráfico e historiador da arte. Professor de História da Arte na Udesc e mestre pelo PPGAV-ECA-USP, com pesquisa sobre Arte Brasileira das décadas de 1960/1970. É editor da revista Dazibao – Crítica de Arte e membro do coletivo Contradesenho de Arte e do Centro de Estudos Desformas da USP, além de colaborador da revista de crítica de arte Tatuí.

Lia Urbini é graduada em Ciências Sociais pela FFLCH-USP e trabalhou por quatro anos na Companhia do Latão, grupo paulista voltado ao teatro dialético. Leciona no cursinho popular Salvador Allende (SP) e pesquisa educação popular.

A mostra Filmaralho é uma atividade da Agenda Cultural do Museu Victor Meirelles, que conta com o patrocínio da Tractebel Energia através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.  A entrada é gratuita.

Filmaralho

PROGRAMAÇÃO

Dia 29/11
Abertura
19h – Exibição curtas Kurt Kren- Aktionsfilmen (Acionismo Vienense 1964-67 ) 45min
20h – Debate: “A Body Arte é Coisa de Macho?”, com Gustavo Motta
21h – Exibição do longa “Sweet Movie” – 1974, 99min

Aktionsfilmen (Filmes-ações), Kurt Kren (1929 – 1998), Viena, Áustria

Cineasta experimental, pioneiro do cinema estrutural, Kurt Kren trabalhou, nas décadas de 1960-70 com os artistas Otto Mühl e Günter Brus, membros do Acionismo Vienense, grupo radical de body art, com quem produziu os Filmes-ações. Também participou com os Acionistas do simpósio “Destruição na Arte” (Londres, 1966) e do happening Arte e Revolução (Universidade de Viena, 1968), onde seus filmes foram confiscados pela polícia. No processo que se seguiu, Kren foi demitido de seu emprego no Banco Nacional da Áustria, foi obrigado a se exilar na Alemanha e, posteriormente, nos Estados Unidos (onde viveu, em grande parte, dentro de seu carro).

Nota: Os números inscritos antes dos títulos dos filmes, por exemplo 6/64, significam que é o sexto filme do ano de 1964 realizado por aquele diretor.

6/64 Mama und Papa (Mãe e Pai)
16mm, colorido, silêncio, 3:57min
Material Action by Otto Muhl

7/64  Leda mit dem Swan (Leda e o Cisne)
16mm, colorido, silêncio, 2:56min
Material Action By Otto Muhl

8/64 Ana
16mm, p&b, silent, 2:40min
Action by Gunter Brus

9/64 O Tannenbaum (9/64 Árvore de Natal)
16mm, colorido, silêncio, 2:56min
Action by Otto Muhl

10/65 Selbstverstümmelung (Auto-mutilação)
16mm, p&b, silencio, 5:19min
Action by Gunter Brus

10b/65 Silber- Aktion Brus (Prata)
16mm, p&b, silencio, 2:34min
Action by Gunter Brus

10c/65 Brus Wunscht euch seine Weihnachten (Brus te deseja um feliz natal)
16mm, p&b, silent, 2:56min
Action with Gunter Bruss, Diana Bruss, Otto Muehl, Kurt Kren, etc.

12/66 Cosinus Alpha (Coseno Alfa)
16mm, colorido, silent, 9:16min
Material Action by Otto Muhl

13/67 Sinus Beta (Seno Beta)
16mm, p&b, silent, 5:58min

16/67 September 20th (20 de Setembro)
16mm, p&b, silent, 6:53min
Em colaboração com Günter Brus

Sweet Movie, 1974
de Dusan Makavejev, França/ Canadá/ Alemanha (RFA), 1974

Depois de perder a cidadania iugoslava ao se aliar aos ensinamentos do austríaco Wilhelm Reich com o filme W.R. Mistérios do Organismo, Dusan Makavejev rodou Sweet Movie no Canadá. Cheio de surrealismos e escatologia, trata-se de uma comédia levemente erótica co-produzida entre França, Canadá e Alemanha (na época, a Ocidental). Misturando bom humor e algumas doses de psicologia, o filme fala de uma Miss Universo (Carole Laure) e sua movimentada vida amorosa. Praticamente ao mesmo tempo em que ela se livra de um casamento fracassado (após leiloar sua virgindade num programa de tv) com um magnata do petróleo, ela mantém um fervilhante caso amoroso com um astro do rock. Tudo isso numa comunidade alternativa e radical. Enquanto isso, um barco navega pelos canais de Amsterdã carregando uma tripulação que inclui um refugiado do famoso Encouraçado Potemkin.

Dia 30/11

19h – Exibição de curtas Dirty Diaries, curtas feministas suecos, 2009 – tempo total 59min
20h – Debate “Que é Feminismo Revolucionário?” com Lia Urbini e Jenny Granado
21h – Exibição do longa “Trabalho ocasional de uma escrava”, Alexander Kluge, 1973, 87min

Dirty Diaries, 2009

Dirty Diaries é uma coleção de curtas-metragens pornográficos produzidos por feministas suecas e coordenado por Mia Engberg. Os filmes individuais são altamente diversificados em conteúdo, embora apresentem em comum o questionamento da heteronormatividade. As decisões criativas foram baseadas em um manifesto feminista que também têm como objetivo criar pornografia não comercial.
O filme causou polêmica antes e depois de seu lançamento por causa do conteúdo sexualmente provocante e pelo fato de ter sido principalmente financiado através de fundos públicos.

Skin
Diretora: Elin Magnusson
13:43 min

Fruitcake
Diretora: Sara Kaaman e Ester Martin Bergsmark
7:27 min

Night Time
Diretora: Neli e Andreas
6:25 min

Dildoman
Diretora: Asa Sandzen
4:01 min

Body Contact
Diretora: Pella Kagerman
9:34min

Red Like Cherry
Diretora: Tora Martens
3:52 min

On Your Back Woman!
Diretora: Wolfe Nadam
5:15 min

Phone Fuck
Diretora: Ingrid Ryberg
6:34 min

Brown Cock
Diretora: Universal Pussy
5:11 min

Flasher Girl On Tour
Diretora: Joanna Rytel
12:53 min

For The Liberation Of Men
Diretora: Jennifer Rainsford
5:06 min

Trabalho Ocasional de uma Escrava, Alexander Kluge, 1973, 87min

Terceiro longa do Alemão Alexander Kluge, Trabalho ocasional de uma escrava é um dos mais conhecidos títulos de Kluge por explicitar o engajamento de seu cinema político. O filme Acompanha alguns meses na vida da família Bronski, em especial as perspectivas de Roswitha Bronski, que trabalha numa clínica clandestina de abortos para ter dinheiro para sustentar os filhos. O filme foi visto com ressalvas pelo movimento feminista da época porque não se filia a nenhuma leitura política imediata para consumo pronto, e o humor tem um papel direto nisso.

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