Defesa de TCC “Cidade Aquário” de Moara Costenaro

No dia 29 de julho de 2013, às 16 horas, o Museu Victor Meirelles irá receber a defesa de TCC Cidade Aquário de Moara Costenaro.  No dia 29 após a defesa de TCC e no dia 30 de julho será exibida a videoinstalação Cidade Aquário composta por três projeções na sala de exposições temporárias no Museu Victor Meirelles. A artista utilizou três formatos cinematográficos que serão exibidos simultaneamente: super 8 mm,  lomokino e digital.

Cidade Aquário é o trabalho de conclusão de curso em Cinema de Moara Costenaro com orientação de Márcio Markendorff pela Universidade Federal de Santa Catarina. Com estudos em cinema feitos no Brasil e no intercâmbio que realizou na França, a artista estabelece relações intrínsecas entre o cinema e as cidades.

cidadeaquario

A proposta de Cidade Aquário é realizar uma vídeo-instalação que produza a cidade invisível de Aquário, cidade que finge ser instável como as ilhas, mas que é presa pelas bordas continentais. Que pretende ser solar, só que a chuva não a deixa. Que quer ser mar, entretanto também é rio de água doce. E como em uma foz, onde as águas não se misturam e nem se separam, Aquário é uma cidade de divisões que constitui um todo separado, um todo único, um todo fracionado.

Essa cidade nada mais é que a representação da ilha de Santa Catarina, Desterro ou Florianópolis. Uma cidade que cada cidadão escolhe como vive-la. Há uns que a vêm com os olhos do luxo, outras com o olhar simples de um pescador. Há os que não conhecem os nomes das ruas, nem os sabores dos peixes. Há os velejam e sempre voltam a atracar. Há também os que nunca saíram daqui e outros que vivem a viajar. Têm os seres do mar, os seres do centro, os seres da universidade. É um pouco cidade, um pouco mato, um pouco roça, um pouco capital, um pouco interior um pouco litoral, um pouco montanhosa, um pouco arenosa, um pouco inundada. É grande e é pequena, é simples e complicada.

Florianópolis, Desterro ou Ilha de Santa Catarina, é um todo bem dividido. E se a cidade é esse todo fracionado, nada melhor que fracionar as histórias, fracionar as janelas, fracionar os formatos para criar em imagens o espírito e o viver dessa gente que passa por aqui, que vive por aqui, que escolheu ficar aqui e dos que já foram embora.

“Marco Polo imaginava responder (ou Kublai imaginava a sua resposta) que, quanto mais se perdia em bairros desconhecidos de cidades distantes, melhor compreendia as outras cidades que havia atravessado para chegar até lá, e reconstituía as etapas de suas viagens, e aprendia a conhecer o porto de onde havia zarpado, e os lugares familiares de sua juventude, e os arredores de casa, e uma pracinha de Veneza em que corria quando era criança.”

(Itálo Calvino, As Cidades Invisíveis)

Cidades Invisíveis são histórias sobre a percepção de Marco Polo sobre as cidades que conhecia. Ele que dizia conhecer mil cidades talvez nunca tenha saído de Veneza, cidade de onde era oriundo, mesmo assim conseguia contar ao sultão sobre todas as cidades que possivelmente coexistiam em Veneza.

É sobre essas muitas cidades dentro de uma única cidade é que se baseia esse projeto. Tentando buscar as frações de Florianópolis, pretendo criar o ambiente que a rodeia sem que ela seja de fato definida. Como no livro, contar sobre suas particularidades de maneira que elas sejam presentes em qualquer outra cidade também.

Existem inúmeras formas de representar o coletivo de um lugar, porém as cidades são criações das sociedades que as construíram, e como uma via de mão dupla, uma influencia na outra a fim de modificar a vida de ambas. Se há uma cidade antiga, é porque também há uma sociedade que gosta de conservar o passado, se há prédios de vidros espelhados, há alguém que também se enxerga ali. As construções arquitetônicas são simbolicamente construções do caráter de uma sociedade, o que as molda e o que as faz ser participante dela, movimentando-a, dando-a vida.

Deixe seu comentário

COMENTÁRIO
  1. Captcha
 

cforms contact form by delicious:days