Exposição “Ter as Costas Livres” de Julia Amaral

Raposa - fotografia em preto e branco - 60,0 x 90,0 cm - 2006

Raposa – fotografia em preto e branco – 60,0 x 90,0 cm – 2006

Na próxima quarta-feira, dia 17 de junho, o Museu Victor Meirelles abre a sua Sala de Exposições Temporárias para a mostra Ter as Costas Livres, da artista plástica Julia Amaral.

A programação começa às 18 horas com o Encontro com o Artista, tradicional evento onde o convidado conversa com a plateia sobre a exposição, suas obras e trajetória. A abertura acontece na sequência.

O humano e o animal: um encontro. O devir do homem à condição animal: uma metamorfose. A degeneração. A finitude. Aquilo que resta. Estas são algumas das questões que percorrem as fotografias e os objetos da exposição Ter as costas livres, de Julia Amaral.

Natural de São Paulo, Julia atualmente vive e trabalha na capital catarinense onde, em 2003, concluiu o seu bacharelado em escultura e cerâmica, na Universidade do Estado de Santa Catarina – Udesc. Ainda em 2003, expôs na coletiva Perspectiva das Artes Plásticas em Santa Catarina, no Museu de Arte de Santa Catarina (Masc) e no Memorial da América Latina. Participou também do Panorama da Arte Brasileira 2005, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e exibiu a individual “Dissonoro”, na Galeria da Aliança Francesa de Florianópolis. Em 2007, participou da mostra Diálogos com a Desterro, no Museu Victor Meirelles e, em 2008, apresentou a individual “Apesar de”, no Centro Cultural Arquipélago. Em 2013, defendeu a dissertação de mestrado intitulada Bestiário, no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Udesc. Neste ano, realizou as exposições individuais “Florianópolis Ensolarada”, em NaCasa Coletivo Artístico e “Apesar de” em O Sítio, ambas em Florianópolis.

Em um trecho do seu Bestiário, a artista explica: “Talvez os bichos não tenham medo da morte. Nós, muitas vezes, temos. A leveza do corpo da raposa, da imagem que ficou registrada na fotografia parece sobrenatural. Mas de forma nenhuma é sobrenatural, justamente, ela é uma imagem também selvagem. De um animal para o outro. Deleuze define o animal como o ser à espreita, um ser, fundamentalmente, à espreita. Nunca está tranquilo. Ele diz que o escritor e o filósofo estão também à espreita. Eu me arrisco a dizer que também os fotógrafos e os artistas.”

Além dos eventos do dia da abertura, o programa da exposição Ter as Costas Livres inclui uma mesa-redonda no dia 14 de julho, às 18h30min, intitulada A Poética da Espreita: Julia Amaral. A proposta da mesa é discutir a trajetória da artista, assim como os trabalhos presentes na exposição. Os convidados para a mesa são Edélcio Mostaço, crítico, ensaísta e professor do Curso de Artes Cênicas do Centro de Artes da Udesc e Marina Moros, artista e professora, doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina e pós-doutora em Antropologia Visual pela mesma universidade.

A exposição Ter as Costas Livres faz parte do projeto Memória em Trânsito que propõe estudar e divulgar as obras dos artistas catarinenses pertencentes ao acervo do Museu Victor Meirelles. Com isso, o Museu visa ampliar o entendimento da poética desses artistas, estimulando a elaboração de outros discursos sobre suas obras. A primeira exposição do projeto foi “Entorno”, de Fernando Lindote.

Por esta razão, durante toda a exposição Ter as Costas Livres, a obra Pedras-Grito – 2002, de Julia Amaral, pertencente ao acervo do Museu Victor Meirelles, ocupará o espaço da alcova, no segundo andar, compondo o núcleo da exposição de longa duração.

chifrudinho

Fortuna crítica

Alguns depoimentos ou críticas sobre os trabalhos de Julia Amaral podem nos ajudar a entender melhor os seus interesses artísticos.

“O que temos é a coisa em si, destacada de seu contexto, devolvida à condição de coisa mesma, sem nenhum dos artifícios que a tradição pictórica sugeriu como adequados para minimizar o impacto da brutal realidade do natural. Não há promessa, quimera ou projeto de futuro nesses animais duplamente mortos: mortos antes da arte, mortos depois da arte. Como num catálogo de taxidermia, os bichos estão alinhados como espécimes, como exemplos de formatos e cores, como variações da vida sobre o planeta, engrandecidos pela lente da câmera e, portanto, retirados de sua escala original de grandeza”. Por Edélcio Mostaço, em Julia Amaral e os Oximoros, de 2010.

“Um gato doméstico trouxe à casa, entre os dentes, um diminuto anfíbio (um sapo?) que caçou em suas andanças galantes e violentas; dirigiu o olhar para sua dona e depositou o animal diante dos seus pés, empurrando-o para mais próximo dela com a pata. Havia brincado, mas a imobilidade já o desinteressava. A dona recebeu o animal como um presente inadequado, jogou-o no lixo sorrateiramente para que o gato não se ofendesse com o gesto. De um animal para outro.” De Ana Lucia Vilela, sobre Veludo Negro ou Como Ocupar o Espaço de um Corpo Insignificante, de 2009.

“Pedras voam, pássaros nunca morrem, cogumelos viram preciosidades. A intervenção da artista sobre as coisas faz com que adquiram nova gravidade ainda que resguardem suas formas e continuem a responder pelos nomes de ‘pedra’, ‘pássaro’ e ‘cogumelo’”. Por Fernando Boppré, sobre O peso das Coisas, de 2007.

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Ter as Costas Livres, exposição de Julia Amaral
Abertura: dia 17 de junho, às 19 horas
Conversa com a Artista: mesma data às 18 horas
Museu Victor Meirelles
Rua Victor Meirelles, 59 – Centro – Florianópolis/SC
Tel.: 48 3222-0692
Entrada gratuita

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