O Branco e o Preto de Eli Heil

Enchente – Acrílica sobre papel – 1983

Enchente – Acrílica sobre papel – 1983

O Museu Victor Meirelles se junta a outros museus catarinenses nas celebrações pelos 50 anos de carreira da artista catarinense Eli Heil abrindo, neste sábado, 22 de fevereiro, a exposição Eli Heil em Branco e Preto. O evento começa às 11 horas com o tradicional Encontro com a Artista e, em seguida, a abertura da mostra.

As festividades em torno da artista começaram em novembro do ano passado e várias outras instituições têm eventos programados para todo este ano de 2014, ano em que Eli completa 85 anos de idade. No Museu Victor Meirelles a data foi escolhida como uma deferência ao falecimento de Victor Meirelles, ocorrido em 1903.

Quase um descompasso na sua trajetória artística, as obras em preto e branco de Eli são bem pouco conhecidas. Na verdade é a própria artista que explica estas fases sem cor, provocadas pela surpresa de um diagnóstico de anemia. “Quando o médico me disse, uma vez, que eu estava com anemia, perdi a cor, e as obras também. Qualquer coisa que acontece comigo eu perco a cor.” Por estas razões, e também pela curiosidade contida nessas produções, esta mostra foi idealizada.

Uma das suas principais características é que, como artista, Eli Heil utiliza mais de 200 técnicas de produção. Além disso, as suas atividades artísticas transitam com facilidade entre a pintura, o desenho, a cerâmica, a tapeçaria, e escultura e ainda a poesia. No seu museu e ateliê, O Mundo Ovo, que fica em sua residência em Florianópolis, estão mais de três mil obras, de vários tamanhos, formatos e materiais, inclusive muitas delas na área externa da casa, como que protegendo, guardando mesmo a propriedade.

Eli Heil em Banco e Preto reúne desenhos realizados pela artista entre os anos 1960 e 90. Todos eles possuem suporte em papel, em várias gramaturas e tamanhos e, em sua maioria, os materiais utilizados são o grafite, o nanquim e a caneta esferográfica. O traço de Eli, entretanto, se revela além do preto e do branco na medida em que alguns desenhos são invadidos por azuis e amarelos, que transbordam pela escala de cinzas, desorganizando o jogo da cor predominante em sua poética.

Quando nos perguntamos sobre as referências de Eli, as respostas não ficam dentro do campo da arte, mas sim na natureza interior da artista. Por Florianópolis se localizar fora da rota dos grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo, onde se concentrava a maior parte das produções artísticas da década de 60, a obra de Eli foi adquirindo, como aliás desde o início de sua carreira artística, um fazer especial e diferente. Livre dos cânones que a academia por vezes impõe e delimita, Eli traçou um caminho todo próprio, sempre buscando dentro de si e de seu mundo particular – O Mundo Ovo – as inspirações para suas obras.

Neste sentido seus trabalhos parecem memórias sentimentais das primeiras impressões daqueles que chegaram a esta Ilha. Um misto de primitivo com inocência, característica encontrada também na arte Naif, compõem uma flora e fauna vivas que viram emaranhados de formas e que nos lembram os perfumes encorpados e voluptuosos das florestas nativas de Florianópolis. É uma arte dos sentidos e dos sentimentos, e também um registro da Ilha. Tanto em suas obras coloridas como nas em preto e branco, Eli mantém uma vivacidade nervosa que preenche o espaço vazio da folha com texturas – padrões e repetições – e linhas, sempre curvas.

Inspirada e inspiradora, Eli sempre se destacou por seu dinamismo no fazer arte. Sua obra nos fala do mesmo modo como ela própria diria, verbalmente. No site do Itaú Cultural consta o comentário crítico que “a espontaneidade constitui o vigor e o limite de seus trabalhos. Ao mesmo tempo em que propicia articulações formais e simbólicas imprevisíveis, a atitude da artista se restringe ao conceito de arte como sinônimo de autoexpressão”.

A exposição Eli Heil em Branco e Preto fica no Museu Victor Meirelles até 8 de maio de 2014. A entrada é gratuita.

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Eli Heil em Branco e Preto – exposição
Dia 22 de fevereiro de 2014, sábado, às 11 horas
Museu Victor Meirelles
Rua Victor Meirelles, 59 – Centro
Florianópolis – SC
Tel.: 48  3222-0692

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