VICTOR MEIRELLES – ESTUDOS, RETRATOS E FATOS

Fatos, por que?

Porque, se recuarmos no tempo, poderemos, agora, com muita justiça, medir melhor o esforço realizado por Victor Meirelles, desde os primeiros – e, porque não confessar? – canhestros estudos da infância e adolescência, na então Vila de Nossa Senhora do Desterro, passada a Imperial Academia das Belas Artes, até os tempos de proveitosos e dedicados estudos em terras européia. As mudanças que se operam em seus trabalhos, com o passar dos anos, sobretudo na fase do aprendizado, indicam a busca de conscientização, diante da insatisfação com as repetições, os temas sovados, a nenhuma inventiva. Essa preocupação acompanha outra, a da criação. Existe, com efeito, profunda unidade entre as formas que inventa ou recria, não apenas invenção ou recriação de formas puramente plásticas: busca, sobretudo, a vida que se vai fazendo em torno de si, os aspectos que ela toma a sua volta, os objetos de uso, os trajes, as multidões que ela suscita e reune. Essas especulações, como claramente poderemos inferir do grupo de obras ora exposto, estão em íntima harmonia com as transformações que, pouco a pouco, vão sendo introduzidas no cotidiano das gentes, no ultimo quartel no século XIX.

Aqui se encontra o que é, genuinamente, Victor Meirelles: um artista na plena acepção da palavra. Pinturas, através das quais, se revela o conhecedor profundo dos meios, das técnicas e dos procedimentos que contribuem para fazer de suas obras – a par de sua criatividade inerente – objeto de fruição em tudo e por tudo perfeito, preciso, singular, nada lhes ficando por desejar.

Alcídio Mafra de Souza – maio de 1994

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