Newman Schutze – “Desenhos”

Newman Schutze é artista plástico, nascido em Adamantina-SP. Desde a década de 90 vem participando de exposições no país como a mostra Imagem e Sedução no MAC/USP em São Paulo e MAM da Bahia em Salvador, e no exterior na Galeria Art at Format em New York e na Galeria Arauco em Nurembergue/Alemanha, entre outras. Em 2003 participou do Programa de Exposições Centro Cultural de São Paulo.

Na mostra que abre nesta quarta-feira, dia 23 de fevereiro de 2005 às 19h no Museu Victor Meirelles, em Florianópolis/SC, Newman Schutze ocupa toda a extensão das paredes do espaço com uma grande mancha horizontal de nanquim, feita com apenas um gesto, utilizando um grande rodo.

NEWMAN E OS DESAFIOS DO DESENHO

Texto de Carlos Alberto Fajardo (Artista e professor doutor da Universidade de São Paulo)

Sem Título, Newman Schutze, 2005, s/i, nanquim sobre papel, 150 x 262 cm

Sem Título, Newman Schutze

 

Instalações, performances, intervenções urbanas, multimídia e os novos modos expressivos no campo das artes visuais colocaram em questão e certamente sob pressão, num permanente estresse, as formas tradicionais da atividade artística: a pintura, o desenho, a gravura, a escultura e os objetos construídos.

É como se o surgimento dessas novas modalidades artísticas, conduzindo a um processo de expansão do pensamento visual, obrigassem as formas tradicionais a um deslocamento na sua ação, sendo a principal a crise instalada nos discursos simbólicos, substituídos em parte por produções de natureza indicial.

A segunda metade dos anos 60 do século passado gerou a maior parte das mudanças estruturais que as artes plásticas conheceram, a partir do surgimento da forma simbólica por excelência, a perspectiva; da maneira mais geral possível pode-se dizer que foi a introdução da relação espaço/tempo a principal responsável pelos desafios que as formas canônicas de arte encontraram desde então: um deslocamento daquilo que se estendia pelo espaço virtual, de representação, para uma ocupação física do espaço real. O que implica numa nova relação da arte com seu público espectador, agora “participador” na feliz expressão de Helio Oiticica.

Vista da Exposição

Vista da Exposição

Vista da Exposição

Vista da Exposição

O trabalho de Newman se inscreve dentro das formas tradicionais da pintura e do desenho e o quê se apresenta nesta exposição é sua resposta a esse desafio, colocado no caso ao desenho. Seu trabalho se envolve com a questão básica da representação: colocar algo no lugar de alguma coisa apenas figurada, uma montanha, uma maçã, o desenho como significante de uma ausência, o desenho como fantasma.

Um desenho que não representa, uma parede ocupada em toda sua extensão por uma grande mancha de nanquim, feita em apenas um gesto, com a utilização de um instrumento insólito; um grande rodo que marca sua trajetória horizontal na altura do artista, uma espécie de dança que ocupa toda a extensão das paredes que definem o espaço; um movimento repetido, em que a repetição mostra toda a sua diferença, indícios da ocupação espacial/ temporal do todo, pelo corpo do artista.

“O que faço é música”, essa frase de Oiticica sintetiza os dilemas que a arte contemporânea encontra e que Newman tão bem resolveu em seu trabalho recente, nesta mostra.

 

Visitações:

Exposição aberta de 23 de fevereiro a 17 de abril  de 2005.

Horários:

Aberto de terça a sexta-feira, das 10h às 18h.
Sábados das 10h às 14h.

Informações:

(48) 3222-0692
museuvictormeirelles.museus.gov.br
mvm@museus.gov.br

 

 

 

 

 

 

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