Victor Meirelles – “Estudos de Trajes Italianos”

Estudo de Traje Italiano, Victor Meirelles de Lima, circa 1853/1856, Itália, Óleo sobre papel colado em madeira, 29,2 x 21,3 cm

Estudo de Traje Italiano, Victor Meirelles de Lima

Na próxima sexta-feira, dia 18 de agosto, às 19h, o Museu Victor Meirelles promove a abertura da exposição de Victor Meirelles, Estudos de Trajes Italianos, acompanhada de uma programação especial para comemorar o 174º aniversário de nascimento de Victor Meirelles.

A mostra Estudos de Trajes Italianos apresenta 20 obras sobre papel do acervo do Museu Victor Meirelles e de Coleção Particular, todas realizadas pelo artista em sua fase de aprendizado em pensionato da Itália, de 1853-56.

Victor Meirelles, aos vinte anos, conquistou o Prêmio de Viagem ao Exterior e viveu cerca de nove anos na Europa, entre Itália e França. Em 1853 fixou-se na Itália, onde frequentou o ateliê de Tommaso Minardi e de Nicola Cansoni. Neste período desenvolveu numerosos estudos, retratando tipos populares e trajes italianos, representando usos, costumes, comportamentos de uma época e mais do simplesmente documentando um lugar, nos propondo uma reflexão sobre a passagem do tempo. Victor permanece na Itália até 1856, quando transfere-se para Paris, por sugestão de Araújo Porto-Alegre, então diretor da Academia Imperial de Belas Artes, com quem trocou longa correspondência.

O Museu Victor Meirelles vem se destacando no cenário local como centro de encontro e debate sobre arte e cultura, através de uma programação intensa de exposições, oficinas, palestras e mostras de cinema. Dessa forma, o Museu hoje se configura como um espaço cultural de abordagem contemporânea, em contínua atualização.

Desde 1994, dentro da programação de exposições temporárias, o Museu Victor Meirelles tem realizado mostras significativas de Victor Meirelles, a fim de conferir visibilidade e estimular o estudo de obras do artista, pertencentes a acervos de outras instituições e coleções particulares.

Neste ano, em que este conjunto de obras completa 150 anos de criação, a mostra propõe uma discussão sobre a trajetória do artista e o seu contexto histórico e, ainda, uma reflexão sobre as relações entre arte e moda e uma atualização destas questões a partir da arte contemporânea, tendo como referência o conceito de academia e as tensões entre arte e mercado.

Dentro dessa proposta, acontece às 17h, a conversa “Moda, modos, modernidade: a fita da História”, em que o Prof Dr. Raul Antelo apresenta ao público reflexões sobre a moda e os trajes, um ponto de partida indispensável no pensamento da modernidade no século XIX.

Estas questões são desdobramentos do texto “Um desejo vacilante”, presentes no catálogo da mostra, que será lançado na abertura e que apresenta textos de Raul Antelo, Charles Narloch e Fernando Lindote.

Ainda no dia 18 de agosto, acontece a abertura da sexta edição do Projeto Diálogos com a Desterro, com obra do artista catarinense Eduardo Dias em que mostra uma vista do centro da cidade, de 1914.

Sobre o catálogo:  “Victor Meirelles – Estudos de Trajes Italianos”.

O catálogo, com 36 páginas, apresenta todas as obras presentes na exposição, de coleção particular e do acervo do próprio Museu. Além de texto de apresentação da diretora do Museu, Lourdes Rossetto, o catálogo reúne os textos: “Um desejo vacilante” do Prof. Dr. Raul Antelo, “Academia, moda, mercado…” do artista Fernando Lindote e “Trajes Italianos – poesia na formação de um neoclássico” do curador Charles Narloch.

Sobre os autores:

Raul Antelo é Professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisador sênior do CNPq e da Fundação Guggenheim. Doutor em Literatura Brasileirapela Universidade de São Paulo e autor de várias publicações, entre elas, Transgressão e Modernidade, 2001, Potências da imagem, 2004, Crítica & ficção, 2005 e, mais recentemente, Maria com Marcel – Duchamp en los trópicos, 2006.

Charles Narloch é artista visual e curador independente. Atualmente é Diretor Executivo da Fundação Cultural de Joinville. Tem atuado como membro de comissões curatoriais de salões e exposições em Santa Catarinae no Paraná, como 3o a 6o Salão Nacional Victor Meirelles, Museu de Arte de Santa Catarina, 1995 a 1998 (coordenação); Projeto Schwanke, Centro Cultural de Jaraguá do Sul, Museu de Arte de Santa Catarina (Florianópolis) e Memorial da América Latina (São Paulo), 2002/2003 e Campo Aberto, Centro Cultural de Jaraguá do Sul, 2004. Vive e trabalha em Joinville (SC).

Fernando Lindote é artista e também atua como curador. Vem realizando importantes mostras individuais como “Mangue Real”, Galeria Nara Roesler, São Paulo/SP, em 2004, “Experiências com o Corpo”, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo/SP, em 2002 e “Teatro Privado”, MAM, Rio de Janeiro/RJ, em 1999. Entre as mostras coletivas, destacam-se, “Paralela2004”, São Paulo/ SP e “ARCO”, Madrid/Espanha, ambas em 2004; “Panorama de Arte Brasileira”, MAC, Niterói/RJ e MAM, Salvador/BA, em 1998, e MAM/SP, em 1997, “Projeto Macunaíma” FUNARTE, Rio de Janeiro/RJ, em 1996 e “10º Salão Nacional de Artes Plásticas”,  FUNARTE, Rio de Janeiro/RJ, em 1987. Participou do projeto de residência “Faxinal das Artes”, Curitiba / PR, em 2002 e foi Bolsista da Fundação Vitae, São Paulo/SP, em 2000. Mais recentemente participou da 29ª edição do Panorama da Arte Brasileira e da 5ª Bienal do Mercosul, ambos em 2005.

Sobre o artista Victor Meirelles

O artista Victor Meirelles nasceu em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, em 18 de agosto de 1832, filho dos imigrantes portugueses Maria da Conceição e Antônio Meirelles de Lima.

Pintor, desenhista e professor, começou sua trajetória precocemente, realizando desenhos das paisagens da cidade. Freqüentou a Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro e aos vinte anos, conquistou o Prêmio Especial de Viagem à Europa. Viveu cerca de nove anos entre Itália e França, onde dedicou-se ao estudo e ao trabalho. Foi professor honorário da Academia Imperial de Belas Artes, onde ensinou pintura histórica e professor do Liceu de Artes e Ofício, no Rio de Janeiro.

Autor de quadros históricos, retratos, panoramas e da mais popular das telas brasileiras, “Primeira Missa no Brasil”, de 1861, Victor Meirelles deixou um extraordinário acervo, minuciosos esboços, estudos em papel e óleos sobre tela. O artista faleceu no Rio de Janeiro em 22 de fevereiro de 1903, numa quarta-feira de cinzas.

Visitações:

Exposição aberta de 18 de agosto a 06 de outubro  de 2006.

Horários:

Aberto de terça a sexta-feira, das 10h às 18h.
Sábados das 10h às 14h.

Informações:

(48) 3222-0692
museuvictormeirelles.museus.gov.br
mvm@museus.gov.br

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