Consuelo Schlichta e Marília Diaz – “Lugares da Memória”

Detalhe de obra

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A exposição Lugares da Memória é um inventário dos lugares onde se guarda objetos-lembranças, altera-se a significação dos objetos transplantados do mundo comum para o mundo da arte, como as cadeiras na obra A espera. Vazias  convidam ao compartilhamento de um agora e a reconstituir o que levou as duas artistas a estar ali, alheias ao mundo real, a deixar ver seus corpos desnudos, que têm marcas, que guardam lembranças.

Na obra Passé Composé a linha que divide o que está à frente do que está atrás se apaga, coexistem presença e ausência, pretérito, presente e futuro andam lado a lado. São os nossos tempos: o próprio e o figurado, o analógico e oculto, o próximo e o longínquo, o especulativo e o experimentado. São os lugares de morte, do visível do invisível, do labirinto, do infinitamente divisível, dos retratos de costas.

Detalhe de obra

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Na obra Cerimônia de evocação, as gavetas são lugares onde se expõe coisas, ou ao contrário, onde se deixa longe dos olhos. Apenas lugares onde se guarda as memórias, experiências da permanência, fragmentos de nós mesmos que se deseja decifrar. Lugares que se desdobram, como o porão e o sótão onde se guarda tudo, desde os espíritos do lugar até as fotografias, lugares de saudade.

Por último, Poupée à habiller, obra que nos permite refletir sobre o papel feminino apre(e)ndido historicamente, a partir de cunhagens sedimentadas desde a mais tenra idade. Os brinquedos, os vestuários separam os gêneros, determinam o lugar do corpo. Roupas para isso e para aquilo, roupas para ritos de passagem. O vestido de noiva, mumificado pela ação da goma amendoada pelo chá como manifestação do tempo, eterniza como que fotograficamente a imagem do rito. A sobreposição dos contextos: infância e adultidade se dá no entorno polvilhado de vestidos de bonecas em papel.

No entanto, em Lugares da Memória, não se procura reconstituir, não há histórias com começo, meio e fim.  Apenas nichos repletos de pulos e vazios que se interrompem e, assim como os mapas, indicam percursos de olhar sobre as lembranças dos dias, onde coexistem histórias,  presença e ausência.

Visitações:

Exposição aberta de 14 de dezembro a 16 de fevereiro de 2012.

Horários:

Aberto de terça a sexta-feira, das 10h às 18h.
Sábados das 10h às 14h.

Informações:

(48) 3222-0692
museuvictormeirelles.museus.gov.br
mvm@museus.gov.br

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