Situação nº 1 de Raquel Stolf

A instalação Situação nº 1 de Raquel Stolf será apresentada na sala de exposições temporárias no Museu Victor Meirelles a partir do dia 07 de agosto ás 18h. A presente mostra acontece no intervalo entre as duas exposições temporárias em comemoração à Semana de Aniversário de Victor Meirelles do dia 07 ao dia 16 de agosto de 2013. A obra apresentada, prêmio aquisição do 1º Salão Luiz Henrique Schwanke de Arte Contemporânea em 2002 foi emprestada pelo Centro Cultural de Jaraguá do Sul (SCAR). Na ficha técnica encaminhada no termo de empréstimo constam os dados da obra: Situação nº 1 (2001-2002) e 4 ratos brancos de borracha e parede branca. Os 4 ratos brancos de borracha chegaram no dia 02 de agosto, mas não recebemos a parede branca. [Onde está a parede?] Entre esta e outras indagações, a presente instalação discute os ruídos gerados na obra ao apresenta-la numa instituição localizada num sobrado, tombado como patrimônio histórico nacional em 1950, construído por volta do final do século XVIII e início do XIX. No dia 15 de agosto as 16h a artista realizará a conversa etc.


Situação no 1
[onde está a parede?]

em quatro camadas, imagino os 4 ratos brancos de borracha guardados durante onze anos, mantidos numa espécie de insônia temporária. (mas, eles nunca estão sozinhos, eles se fazem companhia)
antes, a pausa pôde abrir algum sentido, algum rumor entre o chão e a parede.
aqui, a pausa respira outro ruído, outra lentidão?
(4 ou 5 ratos de tocaia, na sombra)
ele (museólogo) sabe como encontrar os ratos escondidos pela casa.
a parede branca é um anteparo que insiste? diante desta parede, diante de um bloco seco e opaco, inerte, o que não se dissipa existe? qual é a espessura dessa parede? qual é o tempo de uma parede? e os buracos pelos cantos? e as tocas vazias? alguém ou algo habita as tocas vagas?
as paredes podem estar penduradas pelo chão.
os ratos podem estar pendurados pelo rabo.
os rabos podem estar pendurados pelos ratos.
as paredes têm ouvidos e não têm pálpebras.
pressinto a parede branca como outra premonição: como um pressentimento roído.
um vazio se arma, está ali, está aqui. um vazio estatelado, dilatado.
o branco é o acidente sempre renovado do deserto (Deleuze).
uma parede branca está aberta ou fechada?
(preciso entrar nessa parede)
(preciso sair dessa parede)
ratos imóveis. 4 focinhos encostados nas paredes de um museu, ou, dentro de um sobrado construído por volta do final do século XVIII ou XIX.
os ratos brancos com olhos vermelhos são made in china, por volta do final do século XX.
5 notas de rodapé perdidas pela casa, antes do acontecimento. por volta do final, entre uma interrupção e um paradoxo despreparado, distendido. um paradoxo cansado, mas ainda de pé, com fôlego.
a fadiga dos ratos é quase hipnótica, fissurada, infra-mince. os ratos não têm peso e suas posições são imprecisas, fisgadas sem serem fixas.

Raquel Stolf, agosto de 2013.


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