Fernando Lindote – “Muito Perto”

Sem Título, Fernando Lindote, s/d, s/i, nanquim sobre papel, 49 x 70 cm

Sem Título, Fernando Lindote

Florianópolis – O artista plástico Fernando Lindote expõe individualmente, a partir de hoje, no Museu Vítor Meireles, em Florianópolis. Para quem ainda não conhece – se é que isso é possível – trata-se de mais uma rara oportunidade de acompanhar de perto, “muito perto”, um pouco de sua linguagem. E “linguagem” nesta mostra pode ter, no mínimo, dois sentidos.
“Muito Perto” é o título da individual que traz trabalhos aparentemente limitados às duas dimensões, que exploram ao máximo as superfícies planas. Traduzindo: Lindote apresenta, desta vez, desenhos e gravuras sobre papel. Segundo o artista entre-meios, são obras que caracterizam seu processo mais íntimo de criação e, por isso, raramente são expostas e permanecem pouco conhecidas pela maioria. Para quem tem o privilégio de conhecer um pouco de sua trajetória, seja de perto ou mesmo de longe, impossível deixar de reconhecer – novamente – a coerência de seus conceitos e de sua pesquisa poética. Engana-se quem imagina que Lindote abandona sua linguagem pessoal no ato de desenhar ou gravar. O movimento de sua língua dá origem aos desenhos executados a partir de lambidas de tinta sobre papel, como o artista já havia feito em outra ocasião, diretamente sobre as paredes. O ato de lamber é acompanhado pelo cuspir, espalhar e escrever com os dedos. Assim, compõe-se a obra em atos cíclicos sucessivos: expelir e espalhar.
O processo mastigatório e de expulsão de fragmentos emborrachados também se mantém presente. No entanto, não é reapresentado como parte visível das obras, mas como resultado de uma ação pré-estabelecida. As gravuras utilizam como matriz os fragmentos do emborrachado mordido. Assim, grava-se o resultado do ato como um registro visual integrado à composição. Finalmente, as duas dimensões do plano do emborrachado extrapolam seus limites quando são acumulados uns sobre os outros, sobrepostos na criação de um volume. Neste caso, a relação da borracha com o papel é estabelecida pela possibilidade, existente em ambos os materiais, do acúmulo de planos. E isso lhes devolve, mais uma vez, a terceira dimensão.

 

CHARLES NARLOCH, artista plástico e curador independente

 

Visitações:

Exposição aberta de 16 de outubro a 07 de dezembro  de 2002.

Horários:

Aberto de terça a sexta-feira, das 10h às 18h.
Sábados das 10h às 14h.

Informações:

(48) 3222-0692
museuvictormeirelles.museus.gov.br
mvm@museus.gov.br

 

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