Victor Meirelles – Pinturas

Em comemoração ao aniversário de seu patrono Victor Meirelles, o Museu Victor Meirelles apresenta a exposição Victor Meirelles – Pinturas, com obras emblemáticas do artista, pertencentes ao acervo do Museu. A exposição é composta por pinturas a óleo em diferentes suportes (sobre tela, madeira, cartão, papel colado em cartão e papel sobre tela colado em madeira) representando as diversas fases da trajetória do artista, e proporcionando um panorama da produção do pintor  na segunda metade no século XIX.


O Artista

Victor Meirelles de Lima nasceu em 18 de agosto de 1832 em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, filho de uma catarinense e um comerciante português. Iniciou os estudos artísticos em sua cidade natal e, em 1847, foi admitido na Academia Imperial de Belas Artes (AIBA), no Rio de Janeiro. Em 1852, Victor Meirelles obteve o Prêmio de Viagem à Europa, promovido pela AIBA, para onde viajou no ano seguinte e permaneceu por cerca de 8 anos estudando na Itália e na França. É dessa época a pintura Primeira Missa no Brasil, primeira obra exposta por um artista brasileiro em Paris. Em 1861 retornou ao Brasil e deu início a uma reconhecida carreira como professor. Recebeu encomendas de obras com temas históricos, como Combate Naval de Riachuelo e Batalha dos Guararapes. Ao longo de sua carreira manteve uma intensa produção de retratos, atendendo a solicitações de diversas instituições e particulares. No final do século XIX fundou a empresa de panoramas Meirelles & Langerock, numa parceria que produziu, entre outros, o Panorama da cidade do Rio de Janeiro. Faleceu em 1903, no Rio de Janeiro.


Obras

Estudo para "Invocação à Virgem", Victor Meirelles de Lima, circa 1898, Rio de Janeiro/RJ, Óleo sobre cartão, 104,0 x 47,7 cm

Estudo para “Invocação à Virgem”, Victor Meirelles de Lima

Na época em que viveu Victor Meirelles, a Igreja era uma importante patrocinadora das artes. Atuava como mecenas, sustentando artistas, que criavam obras belíssimas, sob encomenda de seus patrocinadores.
A pintura resultante deste estudo foi a última executada por Victor Meirelles. Também conhecida como “Invocação a Nossa Senhora do Carmo”, foi encomendada por D. João Esberard, então arcebispo do Rio de Janeiro, para servir de fundo ao altar mor da catedral da cidade.  O quadro foi retirado e guardado após a morte do arcebispo. Voltou a ficar em exposição em 1915, desta vez no prédio que abrigou o Liceu de Artes e Ofícios.
Quando a instituição foi transferida para a sede da Praça Onze, a obra foi doada ao Museu Nacional de Belas Artes, onde permanece até hoje.


Estudo para "Primeira Missa do Brasil", Victor Meirelles de Lima, circa 1859/1860, Rio de Janeiro/RJ, Óleo sobre papel colado em cartão, 38,2 x 23,9 cm

Estudo para “Primeira Missa do Brasil”, Victor Meirelles de Lima

Estudo da tela Primeira Missa no Brasil, Obra ícone de Victor Meirelles. Encomendada pela Academia Imperial de Belas Artes, em 1859, a pintura pertence ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.
Para a pintura, Manuel de Araújo Porto-Alegre sugeria a Victor Meirelles, através de carta enviada a Paris pelas mãos do também pintor Pedro Américo, que se inspirasse na carta de Pero Vaz de Caminha, escrita quatrocentos anos antes ao rei de Portugal, quando a frota de Cabral atracara no Brasil, em abril de 1500.
Foram dois anos de trabalho árduo em Paris, ainda sob o mecenato do Estado.  Uma vez finalizada, a obra resultante deste estudo foi apresentada ao júri do Salão de Paris de 1861. Aceita com louvor, Primeira Missa no Brasil garantiu a participação então inédita de uma obra de artista brasileiro numa mostra internacional.


Cabeça de Velho, Victor Meirelles de Lima, s/d, s/i, Óleo sobre cartão, 61,3 x 50,0 cm

Cabeça de Velho, Victor Meirelles de Lima

A prática de retratar pessoas começou no antigo Egito. Repetida na Roma e na Grécia antigas, o gênero veio a se afirmar nos séculos quinze e dezesseis, na Era Renascentista. Mais tarde, nos séculos dezoito e dezenove, voltou como uma prática artística muito utilizada no Brasil durante o período Neoclássico, seguindo os modelos português e francês. Mestres incentivavam seus alunos a produzir retratos, por também se tratar de uma forma para garantir seus ganhos. Era comum que nobres, eclesiásticos e militares os encomendassem como forma de auto-homenagem. Eventualmente, as famílias também eram retratadas, incluindo mulheres e filhos. Em sua trajetória artística, Victor Meirelles produziu muitos retratos de pessoas abastadas e, principalmente, da Família Imperial.


A Morta, Victor Meirelles de Lima, s/d, Rio de Janeiro/RJ, Óleo sobre tela, 50,4 x 61,2 cm

A Morta, Victor Meirelles de Lima

Uma das obras que mais atraem visitantes ao Museu Victor Meirelles. Um perfil enigmático, retratado pelo artista. Cabeça apoiada em uma almofada – ou travesseiro -, a boca entreaberta e os olhos semicerrados chamam a atenção daqueles que contemplam esta pintura. Mistério e silêncio são aspectos recorrentes da tela.  Recebeu título póstumo de “A Morta” em virtude de não haver registro de comentários de Victor Meirelles acerca da obra que, até onde se sabe, jamais foi nomeada pelo artista. Diferente dos outros quadros, a obra foi criada no sentido horizontal e emoldurada em formato oval – nada convencional, sobretudo naqueles tempos. É como se a forma peculiar acolhesse a figura retratada, em um abraço derradeiro. As interpretações se dividem, mas a unanimidade é indiscutível quando o assunto é o fascínio que a obra exerce sobre as pessoas.


Mulheres Suliotas, Victor Meirelles de Lima, circa 1856/1858, Paris, França, Óleo sobre tela, 32,0 x 41,8 cm

Mulheres Suliotas, Victor Meirelles de Lima

No mundo das artes é comum o estudo através da cópia.  Sendo parte do aperfeiçoamento do artista, ao longo do ensino acadêmico. Em sua estada na Europa, Meirelles realizou cópias, a título de aprendizado, de autores pelos quais nutria grande admiração. Na Itália, é o trabalho de Paolo Veronese que mais lhe chama a atenção. Faz cópias de muitos de seus quadros, e tenta repetir a riqueza das telas de Ticiano, Tintoreto, Lorenzo Sotto e Campagnuolo, entre outros. O estudo faz com que agregue conhecimento de valor inestimável, que por certo teria influência na prorrogação de sua bolsa de estudos.
A cópia de Mulheres Suliotas foi executada por Victor Meirelles durante sua estada em Paris. O original, de dimensões grandiosas, é de autoria do holandês Ary Scheffer. A pintura representa um episódio da história grega, em que civis fazem resistência à dominação otomana, no século dezenove. No quadro, um grupo de mulheres, cercadas pelas tropas turcas, saltam com seus filhos de um rochedo para a morte.


Vista Parcial da Cidade de Nossa Senhora do Desterro - Atual Florianópolis, Victor Meirelles de Lima, circa 1851, Florianópolis/SC, Óleo sobre tela, 78,2 x 120,0 cm

Vista Parcial da Cidade de Nossa Senhora do Desterro – Atual Florianópolis, Victor Meirelles de Lima

Esta paisagem da então chamada Vila de Nossa Senhora do Desterro, retratada por Victor Meirelles em 1851, muito se diferencia da atual cidade de Florianópolis, se vista de um mesmo ponto de origem: a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. A área onde se vê o mar na pintura, hoje está aterrada. Mas, na ocasião, as águas se estendiam até os prédios da Alfândega e do Mercado Público, construído para abrigar barracas e quitandas que vendiam toda a sorte de produtos alimentícios. A maioria das casas retratadas não mais existe. Foram demolidas em função da expansão da cidade. A rua bem ao centro da pintura é a atual Rua Trajano, antes chamada de Rua do Livramento. Há, no entanto, edificações retratadas que resistiram ao tempo. Encontre, à esquerda, junto ao mar, a grande igreja com duas torres. É a Catedral Metropolitana de Florianópolis, cuja construção data do início do século dezoito. No lado oposto, à direita da pintura, está a Igreja de São Francisco, cuja construção teve início em 1802. A igreja conserva suas características arquitetônicas originais, com detalhes barrocos, e tem como endereço a atual Rua Deodoro. Na parte inferior da obra, em primeiro plano, avistamos o átrio da Igreja do Rosário e sua escadaria. Ainda hoje, este é um dos importantes pontos turísticos da cidade.


Estudo de Traje Italiano, Victor Meirelles de Lima, circa 1853/1856, Itália, Óleo sobre papel colado em madeira, 29,2 x 21,3 cm

Estudo de Traje Italiano, Victor Meirelles de Lima

Em 1853, Victor Meirelles chegou à Europa, agraciado pelo prêmio de viagem recebido da Academia Imperial de Belas Artes. Aos 21 anos incompletos, estabeleceu-se em Roma.  A Itália era, então, o berço dos grandes mestres renascentistas, a fonte de inspiração para os seguidores do estilo Neoclássico. Os estudos de traje foram produzidos por Victor Meirelles entre 1853 e 1856 durante seus estudos na Itália, quando foi aluno de Tommaso Minardi e posteriormente de Nicola Consoni, também discípulo de Minardi. Muitos destes trabalhos foram executados fora da Academia, nas redondezas de Roma. Victor Meirelles produziu inúmeras imagens de tipos populares, utilizando-se da cuidadosa observação de modelos vivos, valorizando a delicadeza humana e a suavidade dos traços. Mais do que simples representações de usos e costumes de uma época – são retratados nobres, religiosos, cidadãos urbanos e camponeses -, os estudos de traje permitem um raro e curioso registro comportamental.


Esboceto para "Batalha dos Guararapes", Victor Meirelles de Lima, circa 1874/1878, Rio de Janeiro/RJ, Óleo sobre tela, 54,0 x 100,0 cm

Esboceto para “Batalha dos Guararapes”, Victor Meirelles de Lima

Victor Meirelles representou alguns fatos históricos com maestria, entre eles, importantes batalhas. No século XIX, era comum a representação de cenas históricas. Na época, muitos artistas visitavam os locais dos embates, com o intuito de reproduzir em suas pinturas imagens e cores mais próximas da realidade do local. E foi exatamente isto que Victor Meirelles fez para pintar “Batalha dos Guararapes”.  Em 1874, para executar a encomenda do Ministro do Império João Alfredo Correia de Oliveira, o artista viajou para o Monte dos Guararapes, em Pernambuco, local onde, em 1648, ocorreu o combate entre portugueses e holandeses. E que culminaria com o declínio da ocupação holandesa no Brasil. Algumas das mais conhecidas e consagradas obras de Victor Meirelles são cenas de batalhas. Apesar da precisão dos traços, a tela à sua frente é um estudo! Um, de um total de 768 estudos, que permitiram ao artista chegar à versão final da obra, em exposição no Museu Nacional de Belas Artes.


Exposição Victor Meirelles – Pinturas
Abertura: dia 18 de agosto de 2018
Entrada Gratuita

Deixe seu comentário

COMENTÁRIO
  1. Captcha
 

cforms contact form by delicious:days