Instituto Brasileiro de Museus
Museu Victor MeirellesMuseu Victor Meirelles seleciona Floresta Cyberpunk, de Marc Engler, em chamada pública
A comissão curatorial da chamada pública para exposições temporárias do Museu Victor Meirelles (Ibram/MinC) selecionou a proposta que entrará em cartaz entre maio e setembro de 2026. A escolhida foi Floresta Cyberpunk, do artista visual e curador Marc Engler. Puderam concorrer trabalhos individuais ou coletivos de artistas brasileiros ou estrangeiros maiores de 18 anos, com propostas inéditas alinhadas ao tema “arte e política”. Entre os critérios de avaliação estiveram originalidade, qualidade técnica, diálogo com o público – especialmente infantil e escolar –, promoção de acessibilidade e ações afirmativas.
A exposição propõe uma reflexão sobre a responsabilidade individual na construção do futuro, partindo da ideia de que as crises ambientais e sociais estão ligadas a um modo de pensar fragmentado, no qual sentir, pensar e agir deixam de atuar de forma integrada. Inspirada em conceitos desenvolvidos por Rudolf Steiner, especialmente na obra A Filosofia da Liberdade, a proposta destaca o indivíduo como agente de decisão consciente e participante ativo na transformação do mundo.
A partir do uso de tecidos descartados, cinzas, galhos e resíduos da indústria têxtil, o artista traz sua experiência de cerca de vinte anos no mercado da moda. Segundo ele, o setor não produz apenas roupas, mas também imagens, desejos e padrões de comportamento, estimulando o consumo e naturalizando o descarte. “O cubo, elemento recorrente, funciona como estrutura simbólica de contenção e organização do sensível. Em Floresta Cyberpunk, essa investigação alcança maturidade ao articular resíduos da indústria têxtil, arquivos digitais e sementes nativas como campos de reflexão sobre responsabilidade e liberdade”, destaca Engler.
Marc Engler
Artista visual brasileiro, Marc Engler desenvolve uma produção voltada à investigação das relações entre consumo, tecnologia, natureza e subjetividade no mundo contemporâneo. Seu trabalho se insere no campo da arte conceitual e parte da compreensão da arte como um caminho de expansão da consciência e de exercício efetivo da liberdade humana, entendida como a capacidade de pensar, perceber e agir de forma autônoma frente aos sistemas que moldam a vida social.
Antes de se dedicar exclusivamente às artes visuais, Engler atuou por aproximadamente vinte anos no mercado da moda. Essa experiência profissional na indústria têxtil e no sistema de produção de imagens publicitárias foi determinante para a construção de uma leitura crítica sobre os mecanismos de poder, controle e indução do desejo que se materializam nos produtos de mercado. Para o artista, por trás de cada imagem sedutora construída pela publicidade existe uma narrativa confortável que encobre relações de exploração, padronização e alienação, e que apenas a arte, em sua aproximação com a verdade, é capaz de tensionar e revelar.
Em sua prática artística, Engler utiliza materiais reutilizados, resíduos industriais, tecidos e estruturas geométricas, com destaque para o cubo como elemento recorrente de investigação simbólica. Esses dispositivos operam como campos de contenção e reflexão, convidando o espectador a questionar os modos contemporâneos de ver, consumir e compreender o mundo.
Sua produção dialoga com fundamentos da antroposofia de Rudolf Steiner, especialmente com a noção de liberdade individual como exercício consciente do pensar, assumida como base ética e conceitual. Ao longo de sua trajetória, participou de exposições individuais e coletivas em instituições culturais e museus, consolidando uma linguagem crítica voltada à reflexão ambiental, social e cultural.
Comissão curatorial da chamada pública para exposições temporárias:
Celia Maria Antonacci Ramos – Universidade do Estado de Santa Catarina
Daniela Queiroz Campos – Universidade Federal de Santa Catarina
Beatriz Woiszcyk Beltrão – Rede Municipal de Ensino de São José
Isabel Maria Carneiro De Sanson Portella – Instituto Brasileiro de Museus
Ticiane Bombassaro Marassi – Instituto Brasileiro de Museus
Dúvidas a respeito da chamada pública:
mvm.exposicoes@museus.gov.br

Obra Floresta CyberPunk, por Marc Engler. Escultura de tecido, madeira e resina. Rio Negrinho, 2024. Acervo pessoal/Marc Engler.